Tenho um aluno com dificuldade de aprendizagem, mas sem laudo. O que devo fazer?
- Flavia Krieger
- 27 de jan.
- 4 min de leitura
Ter um aluno com dificuldade de aprendizagem sem laudo é uma realidade frequente nas escolas brasileiras. Professores, coordenadores pedagógicos e equipes escolares se deparam diariamente com essa situação e, muitas vezes, a dúvida é a mesma: posso agir sem um diagnóstico formal?
A resposta é clara: sim, deve agir.
A ausência de laudo não suspende o direito à aprendizagem, nem isenta a escola de sua responsabilidade pedagógica. Pelo contrário, exige uma atuação ainda mais intencional, organizada e fundamentada.
Neste artigo, você vai entender o que a legislação orienta, qual é o papel da escola e quais passos práticos devem ser seguidos quando um aluno apresenta dificuldade de aprendizagem sem diagnóstico formal.
Dificuldade de aprendizagem não é sinônimo de diagnóstico
Antes de tudo, é importante diferenciar alguns conceitos.
A dificuldade de aprendizagem pode estar relacionada a diversos fatores, como:
Barreiras pedagógicas
Metodologias pouco acessíveis
Ritmos diferentes de aprendizagem
Questões emocionais, sociais ou contextuais
Falta de mediações adequadas
Já o laudo é um documento clínico, emitido por profissionais da saúde, que identifica uma condição específica.
Ele não define o aluno, nem é o único critério para garantir suporte educacional.
Ou seja: 👉 nem toda dificuldade indica um transtorno, 👉 nem todo aluno com dificuldade terá laudo, 👉 e nenhum aluno deve ficar sem apoio enquanto o laudo não existe.
O que a legislação diz sobre agir sem laudo?
A legislação educacional brasileira é clara ao afirmar que a escola deve garantir acesso, permanência, participação e aprendizagem.
Nenhuma norma estabelece que o laudo seja pré-requisito para:
Adaptações pedagógicas
Estratégias diferenciadas
Apoios educacionais
Registro e acompanhamento do aluno
Na prática, isso significa que a escola age com base nas necessidades educacionais observadas, e não apenas em documentos clínicos.
Primeiro passo: observar o aluno de forma sistemática
A observação é o início de todo processo de inclusão bem estruturado.
Ela deve ir além do “o aluno não aprende” e buscar responder perguntas como:
Como esse aluno aprende?
Em quais situações ele demonstra mais dificuldade?
Quais habilidades já estão consolidadas?
Como ele responde a diferentes estratégias?
Existem barreiras no ambiente, na proposta ou na mediação?
Essa observação precisa acontecer:
No cotidiano da sala de aula
Em diferentes atividades e contextos
Considerando aspectos acadêmicos, sociais e comportamentais
Observar é olhar com intencionalidade pedagógica.
Segundo passo: registrar para fundamentar decisões
Tudo o que é observado precisa ser registrado de forma objetiva.
Os registros pedagógicos são fundamentais porque:
Organizam as informações sobre o aluno
Sustentam o estudo de caso
Dão respaldo técnico às decisões da escola
Evitam achismos e intervenções aleatórias
Facilitam a comunicação entre os profissionais
Registros bem feitos descrevem:
O que foi proposto
Como o aluno respondeu
Quais adaptações foram realizadas
Quais avanços e dificuldades persistem
Sem registro, não há acompanhamento efetivo.
Terceiro passo: intervir pedagogicamente, sem esperar o laudo
Esse é um ponto central: o laudo não é condição para intervir.
A intervenção pedagógica deve acontecer sempre que há barreiras à aprendizagem.
Algumas ações possíveis incluem:
Ajustes na metodologia de ensino
Diversificação de estratégias didáticas
Uso de recursos visuais, concretos ou tecnológicos
Adequação do tempo de realização das atividades
Flexibilização da forma de avaliação
Apoios individualizados ou em pequenos grupos
Essas intervenções não rotulam o aluno. Elas garantem acesso ao currículo e oportunidades reais de aprendizagem.
Quarto passo: dialogar com a família de forma ética e acolhedora
A comunicação com a família é parte essencial do processo.
Esse diálogo deve ser:
Claro
Acolhedor
Baseado em observações e registros
Livre de diagnósticos precipitados
A escola deve compartilhar:
O que está sendo observado
Quais estratégias estão sendo utilizadas
Como a família pode apoiar o processo
Quando família e escola caminham juntas, o aluno é fortalecido.
Quinto passo: articular escola, saúde e família
A inclusão escolar se fortalece quando há articulação entre os diferentes contextos da vida do aluno.
A escola:
Observa e intervém pedagogicamente
A saúde:
Avalia, quando necessário, aspectos clínicos e funcionais
A família:
Compartilha informações e participa das decisões
Essa articulação não depende exclusivamente de um laudo, mas de comunicação, registros e objetivos comuns.
Garantir o direito à aprendizagem é responsabilidade da escola
Independentemente da existência de diagnóstico formal, o aluno tem direito:
Ao acesso ao currículo
À participação ativa
Ao desenvolvimento de suas potencialidades
A inclusão não começa no laudo.
Ela começa na prática pedagógica.
Em síntese: o que fazer quando não há laudo?
Diante de um aluno com dificuldade de aprendizagem sem laudo, a escola deve:
Observar de forma sistemática
Registrar com clareza e objetividade
Intervir pedagogicamente
Dialogar com a família
Garantir o direito à aprendizagem
A escola não espera o laudo para agir. Ela age para incluir.
Como a TEAlliance apoia esse processo nas escolas?
A TEAlliance desenvolveu soluções que apoiam escolas e profissionais em todo o processo de inclusão escolar, organizando:
Observações pedagógicas
Registros e estudos de caso
Planejamento de intervenções
Documentação exigida por lei
Articulação entre escola, família e saúde
Tudo em uma solução integrada, alinhada à legislação vigente e ao novo decreto de educação inclusiva, reduzindo o tempo gasto com documentos e aumentando a segurança e a assertividade das práticas pedagógicas.
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